A importância de Oficinas sobre Branquitude no Terreiro
- deboraeisele
- 4 de nov.
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No último sábado, dia 01/11, eu facilitei duas Oficinas sobre Branquitude no Terreiro Pedra D'água.
Para além da felicidade e da honra de estar em um espaço religioso com o qual tenho tanta conexão e relação, o que quero compartilhar com vocês é sobre a importância de debater esse tema em espaços que são, originariamente, de luta e resistência negra.
Isso porque, muitas vezes, nesses espaços, pessoas brancas têm a impressão de que já são “desconstruídas” o suficiente e, portanto, incapazes de cometer racismo.
Afinal, recebem pretos velhos, saúdam orixás negros... e acham que isso basta.
E é justamente aí que mora o perigo: o racismo segue forte e operando, mas passa a ser justificado, disfarçado, e se mantém de forma velada.

Obviamente, é necessário também abordar o embranquecimento das religiões afro-brasileiras, que aparece de diversas formas, no uso de imagens dos guias e orixás brancos, na substituição de palavras nos pontos, na mudança dos instrumentos ou no fato de pessoas brancas serem, hoje, maioria em muitos terreiros.
Mas indo além, é preciso compreender que o simples fato de termos pessoas brancas em maioria em terreiros já representa um apagamento. Isso acontece porque pessoas brancas carregam consigo suas próprias visões de mundo, formas de se relacionar e de construir cultura — todas atravessadas por suas experiências como pessoas brancas. Não há como separar isso.
É importante entender que a intolerância religiosa não acontece com a Umbanda ou o Candomblé por conta de seus rituais, mas por serem e representarem espaços de resistência coletiva, de construção comunitária e de manutenção da memória e da cultura negra.
O papel de desconstruir esse cenário não pode repousar sobre as costas de pessoas negras, como se fossem responsáveis pela violência que as atravessa. Pelo contrário: pessoas brancas, especialmente em espaços de origem e resistência negra, têm como ponto de partida o compromisso com a responsabilidade, o estudo e a abertura ao diálogo.
Foi com esse mote que construí as duas oficinas — com o objetivo de estudar, refletir e, principalmente, assumir responsabilidade por um problema criado e sustentado por nós, pessoas brancas.
Criamos espaços seguros de troca e vivência, guiados pela metodologia PapoDebs, que é pautada na participação ativa e no aprendizado coletivo.
“Foi uma experiência incrível, que me fez refletir sobre atitudes, posicionamentos e buscar mudanças em mim e na sociedade.”
Ana Claudia Crotti - participante da Oficina.
Se você gostaria de levar essa experiência para a sua organização ou instituição, é só enviar um e-mail para deboraeisele@papodebs.com.





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