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A importância de Oficinas sobre Branquitude no Terreiro

Pessoas vestidas de branco, em círculo, sentadas no chão de cimento queimado do terreiro

No último sábado, dia 01/11, eu facilitei duas Oficinas sobre Branquitude no Terreiro Pedra D'água.


Para além da felicidade e da honra de estar em um espaço religioso com o qual tenho tanta conexão e relação, o que quero compartilhar com vocês é sobre a importância de debater esse tema em espaços que são, originariamente, de luta e resistência negra.


Isso porque, muitas vezes, nesses espaços, pessoas brancas têm a impressão de que já são “desconstruídas” o suficiente e, portanto, incapazes de cometer racismo.


Afinal, recebem pretos velhos, saúdam orixás negros... e acham que isso basta.

E é justamente aí que mora o perigo: o racismo segue forte e operando, mas passa a ser justificado, disfarçado, e se mantém de forma velada.


pessoas vestidas de branco sentadas em círculo no chão, eu de calça jeans e blusa marrom sentada em círculo, com um centro do círculo contendo livros, cartas e colagens

Obviamente, é necessário também abordar o embranquecimento das religiões afro-brasileiras, que aparece de diversas formas, no uso de imagens dos guias e orixás brancos, na substituição de palavras nos pontos, na mudança dos instrumentos ou no fato de pessoas brancas serem, hoje, maioria em muitos terreiros.

Mas indo além, é preciso compreender que o simples fato de termos pessoas brancas em maioria em terreiros já representa um apagamento. Isso acontece porque pessoas brancas carregam consigo suas próprias visões de mundo, formas de se relacionar e de construir cultura — todas atravessadas por suas experiências como pessoas brancas. Não há como separar isso.


É importante entender que a intolerância religiosa não acontece com a Umbanda ou o Candomblé por conta de seus rituais, mas por serem e representarem espaços de resistência coletiva, de construção comunitária e de manutenção da memória e da cultura negra.


O papel de desconstruir esse cenário não pode repousar sobre as costas de pessoas negras, como se fossem responsáveis pela violência que as atravessa. Pelo contrário: pessoas brancas, especialmente em espaços de origem e resistência negra, têm como ponto de partida o compromisso com a responsabilidade, o estudo e a abertura ao diálogo.


Foi com esse mote que construí as duas oficinas — com o objetivo de estudar, refletir e, principalmente, assumir responsabilidade por um problema criado e sustentado por nós, pessoas brancas.


Criamos espaços seguros de troca e vivência, guiados pela metodologia PapoDebs, que é pautada na participação ativa e no aprendizado coletivo.


“Foi uma experiência incrível, que me fez refletir sobre atitudes, posicionamentos e buscar mudanças em mim e na sociedade.”

Ana Claudia Crotti - participante da Oficina.


Se você gostaria de levar essa experiência para a sua organização ou instituição, é só enviar um e-mail para deboraeisele@papodebs.com.




 
 
 

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